terça-feira, 13 de outubro de 2009
Separe a probabilidade de consequência...
No verão de 1975, um jovem escalador chamado David Breashears colocou seus olhos em uma linda e ainda não escalada rocha em um local de escalada ao sul de Boulder. Por anos, nenhum escalador levou em consideração escalar aquela via. O desafio não somente parecia difícil, mas não existia nenhuma proteção natural. Breashears não avistou nenhum local onde pudesse colocar seus ‘nuts’ e estava escalando em uma era anterior a de vias ‘chapeletadas’ por furadeiras elétricas. A parede vertical rosada tinha histórico de regletes afiados e uma negatividade de 85 graus com agarras que aparentavam grandes.
Breashears visualizou a via carregando a corda e nuts pequenos que ele esperava caberem em pequenos buracos logo após uma passagem difícil. Acima uns 15 metros, ele teve uma constatação horrorosa: a escalada seria mais difícil, com movimentos longos e continuava não havendo lugares para colocar os ‘nuts’. A rocha se tornou polida pela água da chuva de milhares de anos e havia somente abaulados negativos para segurar. Se ele caísse, provavelmente despencaria mais de 18 metros abaixo em cima de grandes pedaços de rocha que ficavam na base. A 9.8m2 ele cairia perto de 80 quilômetros por hora a uma força de 20G. Plaft! Um escalador morto.
Isto seria uma situação arriscada?
Bem, depende o que você entende por ‘arriscada’.
Para David Breashears, não era uma situação arriscada. Evidentemente que as conseqüências da queda resultaria em danos severos, mas pelas probabilidades de queda era perto de zero. David era um ótimo escalador e fazia parte da elite. Isto – para ele – era apenas uma via em formato de quebra-cabeças a se resolver, mas não particularmente difícil. Seria como resolver uma palavra cruzada mais difícil do mundo de quarta-feira do jornal New York Times (um quebra cabeças desafiador, mas dentro das possibilidades) com as seguintes instruções: Se você não fizer o quebra-cabeça de maneira certa, nós jogaremos você de uma altura de 20 metros para sua morte.
Se Breashears estivesse imaginando que cairia de 20 metros – ele morreria com certeza. Mas ele não imaginou. Ele estava apto a separar as possibilidades de queda das conseqüências de queda e escalou focando precisamente o topo, criando uma nova rota chamada de “Perilous Journey”(Jornada de Apuros”).
Alguns disso, os mais trágicos acidentes provém desta distinção, se tornando ‘blasé’ em vias fáceis. Em julho de 2000, Cameron Tague tentou escalar o Diamond Face em Long’s Peak. Para chegar ao meio da via, ele decidiu sair em um arranque lateral, ao longo do grande negativo chamado Broadway. Para escaladores ‘top’ como Tague, seria uma travessia fácil e economizaria certo tempo de uma escalada difícil acima dele e nem ao menos se incomodaria com a barriga na corda. Mas de alguma maneira, ele perdeu a concentração e ao segurar em uma pedra solta, desequilibrou. Tague tentou recobrar seu equilíbrio, suas mãos raspavam nos regletes. Ele caiu da parte da via Broadway e caiu 200 metros. As probabilidades de queda eram remotas, mas as conseqüências de queda eram letais.
A separação de probabilidade da conseqüência não somente se aplica na escalada, mas também no trabalho, na vida e nos negócios. Em 1994, quando a Intel Corp descobriu uma falha no décimo ponto flutuante em um processador Pentium, engenheiros estimaram que causasse um erro de arredondamento em divisão a cada 27000 anos para o usuário de planilhas comuns. Esta probabilidade pequena e infinitesimal cegou os líderes da Intel da preocupação sobre a altamente astronômica conseqüência do outro lado da moeda. Quando aquele evento ‘um em um bilhão’ acontecesse com um professor de matemática, sairia imediatamente em um ‘chat’ de internet, o que se tornaria foco de atenção da mídia. O então CEO da Intel Andy Grove descreveu em seu livro Only the Paranoid Survive (Somente os paranóicos sobrevivem)(1999) – Um bom título para escaladores, a propósito – a companhia se encontrou assombrada pela CNN, achincalhada pela imprensa e apedrejada por clientes insatisfeitos. Em dezembro de 1994, Grove acordou para ler uma manchete horrível, “IBM para de comprar computadores baseados em processadores Intel”. Imediatamente a Intel perdeu US$475 milhões – um montante gasto em um ano de orçamento, ou cinco anos de gastos em propaganda.
Enquanto a Intel não morreu com a queda, certamente ela se esborrachou em algum platô e fraturou a perna. Para credito da Intel, ela mudou a maneira de fazer negócios de acordo com as conseqüências e não apenas nas probabilidades. Desde então, nós não vimos mais nenhum outro evento problemático com o Pentium da Intel.
Separar a probabilidade das conseqüências é a chave para uma vida mais próspera. Quando eu lecionava na Stanford Graduate School of Business, muitos dos meus alunos reprovaram o uso desta distinção e limitaram suas opções. Uma veio a minha sala e disse: “Eu tenho realmente que começar minha própria companhia, mas parece ser muito arriscado, então vou arrumar um emprego na IBM”.
“O que vai acontecer se você começar e se dedicar e depois falhar?”, perguntei.
"Eu acho que irei depois disso procurar um emprego”, disse ela.
"E vai ser muito difícil?”
"Não muito...”
"Então você esta me dizendo que o pior cenário é você voltar para onde esta agora: procurar um emprego normal.”
Para um estudante de MBA de Stanford, ela estava tentando iniciar pensando na queda em uma via muito bem protegida. Claro que as chances de sucesso eram baixas, mas as conseqüências de queda eram mínimas também. A corda a seguraria prontamente. Ela saiu e fez o seu melhor, programou para escalar até o topo e iniciou um percurso de sucesso. Mas ela nunca saberia disso se não separasse a probabilidade da conseqüência.
Algo que deve ficar claro na diferença entre probabilidade e conseqüência é agir de acordo. Em vias perigosas (ou situações de que poderão destruir você e sua companhia), você deve evitar escalar com medo de cair, não importa o quanto difícil ou fácil o terreno, a menos que você não tenha outra escolha. Em vias esportivas com grandes e sólidas chapeletas (como “Crystal Ball”, ou o início profissional da minha aluna), você pode enfrentar dificuldades com chances de 5% de sucesso e se atirar no modo de total entrega para finalização da via. Isto pode ser assustador, mas não é perigoso. O segredo é consciência mental apropriada, o que nos leva para a próxima lição.
Jim Collins é autor de Good to Great (2001) e co-autor de Built to Last (1994). Ele é professor autônomo que possui sua própria cadeira e concede a si mesmo um atenuante. Ele ainda escala de 3 a 4 dias por semana.
Iniciando na Escalada Móvel

O mais importante numa escalada com proteção móvel é saber colocar bem as peças, o resto é guiar. E para aprender a usar com segurança friends e stoppers, a teoria é útil, mas a prática é fundamental. Essa prática deve ser continua, porque não se aprende em uma, duas ou três escaladas móveis. Serão necessárias muito mais horas de pedra.
O que faz o escalador são as vias que ele escolhe e como ele as escala. Então se você quer escalar bem em móvel, aproveite todas as chances que tiver para treinar. Importante é escolher vias fáceis para você, porque dependendo da via, a graduação aumenta se você a escalar em móvel. Isso acontece porque se gasta mais tempo e energia para colocar as peças, do que simplesmente costurar um grampo.
Infelizmente muitas vias no Rio, de baixa graduação que poderiam ser escaladas em móvel foram grampeadas. Você até pode escalar fendas grampeadas utilizando móveis, mas pode ter certeza, não é a mesma coisa. Numa fissura inteiramente em móvel, quando não é possível a ‘fuga’ para um grampo, as coisas mudam, a pressão sobre o escalador é maior, a responsabilidade em fazer boas proteções aumenta e o fator psicológico da guiada conta ainda mais. Quem já guiou o diedro Pégaso (IV, com grampos) e o diedro do Magia Vertical (IV, móvel) sabe. Como já disse o escalador Mauro Chiara, “a onda é bem diferente!”. Não dizem que guiar e participar são esportes diferentes? Arriscaria dizer então, que guiar com grampos e guiar inteiramente em móvel também são esportes diferentes.
Finalizando, aprenda e treine a colocação de peças móveis, mas não deixe de procurar vias realmente em móveis, dentro dos seus limites, claro. Um bom lugar para treinar, com muitas fendas, baixa graduação, boas colocações, fácil acesso e sombra a tarde é o lance de escalada do Costão do Pão de Açúcar. Na foto acima indicamos as fendas e as peças que podem ser usadas. O equipo que utilizamos foram os camolts .5, .75, 3 e 4, repetindo o .5 e o .75, e um stopper Black Diamond nº 11. O camalot 4 pode ser até dispensado. Esta é apenas uma sugestão entre as várias possibilidades.
Artigo publicado na Revista de Escalada Fator2 nº 35. Texto e fotos: Flavio Daflon. Escalador: Victor Barria.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Preparando sua ancoragem
segue um vídeo bem explicativo de como se montar uma ancoragem em dois pontos.
No final da demonstração o escalador dá uma segunda opção de montagem. Se não ficar claro o nó que ele utiliza, é a azelha em fita.
Valeu. Aproveitem!
terça-feira, 7 de julho de 2009
Controlando o medo...
Essa afirmação ganha força, quando um bom escalador esportivo trava numa via clássica de nível médio. O fato não é que ele seja limitado técnicamente, mas é que a modalidade por ele praticada possui um padrão de proteções próximas, bem diferente da modalidade clássica.
Costumo dar um exemplo para meus alunos. No final de uma escalada qualquer sem falhas, pergunto a eles: Você escorregou? Precisou da corda em algum momento? A resposta é não. E continuo, então posso tirar a corda já que você não precisou dela. A resposta é certa: não, não... aí é diferente.
É, eu sei que há diferença, mas está na nossa cabeça. Não é a limitação física ou técnica que me impede de fazer solando a mesma via que fiz encordado. É o psicológico.
Não quero com isso, que você saia por aí solando, mas que escale como se acorda não estivesse ali. Escale leve... Escale com a mente e não com músculos.
Então, leia essa tradução de um artigo muito interessante que fala do controle do medo:
Por Ted Reckas
Você está a 10 metros da sua última parada, seus pés começam a escorregar. Você tenta desesperadamente achar uma pega melhor nas agarras, mas seus dedos começam a suar. Sua habilidade de resolver problemas desaparece, e junto com esta sua capacidade de realizar uma boa escalada, fazendo que qualquer lance fique cada vez mais longo e difícil. O medo começa a passar pela sua cabeça e você começa a segurar cada vez mais forte até seus braços ficarem "bombados". Daí você começa a pensar na sua última costura e percebe que vai cair. Não tem outro jeito. Ou será que há? Aqui vão dicas de grandes nomes do Alpinismo.
Saiba quando recuar:
Se você está tão assustado que o medo está atrapalhando a sua escalada, você não devia estar na via. O grande escalador Peter Croft diz: "Se o medo é algo incontrolável e deixa você desesperado, é sinal de que você deve voltar".Recuar não requer somente a habilidade física de realizar os movimentos inversos (algo bom de se praticar), mas de se ter o discernimento para saber quando o fazer.
Sintonize-se:
Chris McNamara um veterano de realizador de vias A5 no El Cap como Reticent Wall e Wyoming Sheep Ranch, fala sobre a voz do medo: "Você precisa ficar intimo com a sua voz na sua cabeça; faça-a sumir quando começa a atrapalhar e a escute quando ela o alerta sobre um acidente que possa vir a ocorrer".
Crie uma base de coragem:
Você deve criar mais confiança através de várias escaladas, assim gradualmente diminuindo o fator medo. Croft diz "Se eu estou solando alguma via difícil,e porque antes eu já solei muitas vias e na maioria das vezes, o medo não aparece porque lá (na via) é onde eu quero estar".
Jason Smith, que já solou Rostrum's Regular North Face (5.11), concorda, "As pessoas não estão solando qualquer coisa eles não estão absolutamente certos se vão conseguir subir. Não pode haver espaço para o medo".
Concentre-se:
O controle da mente é crucial. McNamara se concentra no imediato: "Eu fico com medo quando eu me desconcentro dos movimentos que tenho que realizar naquele momento e começo a pensar no que pode acontecer, eu posso cair, esse friend não vai segurar e sair, e ai quando paro com esses pensamentos e me concentro novamente nos movimentos daí o medo simplesmente desaparece.
Smith concorda "Na maioria das vezes você está assustado por nenhuma razão em particular"
Arno Ilgner, um grande escalador que dá cursos sobre como lidar com o medo, nos lembra que deve se olhar objetivamente sobre as situações, se você está com o foco em cima do que deve-se fazer para escalar ou realizar aquele movimento, você terá pouca energia direcionada para ficar com medo.
Fique frio :
As vezes as preocupações são reais. Nestes casos controle sua mente. Croft se mantém positivo: "Enfoque-se em passar um bom tempo escalando em vez de subir praticamente se arrastando. Eu na maioria do tempo me enfoco em ficar relaxado, manter a mente relaxada".
Para Jim Bridwell,que realizou solos e várias conquistas, e o assunto é muito simples: "Não fique fora de si.Não coloque-se como um perdedor antes mesmo de começar."
Ilgner acrescenta: "Como você direciona sua atenção? Certamente você quer pensar ativamente, não lidar com as coisas que possam acontecer passivamente com você. Em vez de se concentrar em como evitar a queda, concentre-se em trabalhar na situação em que você está."
Tenha medo :
O medo pode ser um auxílio, fazendo com que você escale melhor, isto quando for utilizado como combustível em movimentos mais difíceis. Bridwell diz que "O medo somente faz que com que você fique mais ligado e esperto na via. Se você consegue controlar a adrenalina que o medo fornece , o medo começa a fazer que o trabalho fique pronto."
Fonte : http://orbita.starmedia.com/~montblanc-rj/dicas25.htm
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Posicionamento de mosquetões.
Valeu galera
terça-feira, 30 de junho de 2009
Nó Prussik
vai um vídeo gringo de como fazer um nó prussik. Ficou meio estranho porque o cara usou um cordelete gigante, porém fora isso dá para vizualizar bem os movimentos do nó. Vale a pena assistir.
um abraço
terça-feira, 23 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
Lição 1 - Escale para superar, não para desistir: Como vencer sem atingir o topo.
(...) "Meu amigo Matt e eu andávamos por uma trilha, quando eu parei e admirei uma linda face na rocha – lisa e de inclinação contínua, com finos regletes no meio da parede cinzenta de granito.”Você pode ver porque eu chamo a via de “Crystal Ball” (Bola de Cristal em inglês), disse Matt, apontando para uma agarra de quartzito do tamanho de uma bola de baseball 15 metros acima do chão.
Escalei e me preparava para uma cadena ‘on-sight’ (à vista). Você apenas tem uma única chance de ‘encadenar’ (escalar sem cair ou segurar na corda) à vista. Uma vez que você inicia a escalada, se você desperdiça a oportunidade e tem uma queda, você perdeu a chance para sempre.
Três metros abaixo do cristal, meu pé começou a escorregar em algumas lacas soltas e apertei meu polegar em um pequeno reglete. Pensei: “Eu poderia tirar um pouco de peso dos meus dedos...”. A adrenalina de encadenar algo ‘on-sight’ (à vista) me fez gastar mais força que o necessário em cada agarra – algo como um corredor muito ansioso que vai mais rápido nos primeiros 800 metros do percurso.
“Respire Jim. Relaxe.” Sussurrou Matt naquele momento - recuperando a calma enquanto usava o polegar e descansando meus dedos, tentando acalmar a respiração. Mas minha mente divagou: “Se eu estiver errado, não tem jeito de reverter a situação... E mesmo que eu esteja certo, não tenho certeza se tenho força suficiente para dar um ‘puxadão’ até a ‘bola de cristal’... E se eu não chegar na ‘bola de cristal’ não há maneira de eu estar apto a ‘clipar’ a corda até a próxima proteção... Quão longe eu irei ‘voar’?...”
Tic, tac, tic tac. O relógio corria enquanto eu hesitava.
Ok Matt, lá vou eu.
Mão direita para a puxada lateral. Pé esquerdo no reglete.
“Opa!”, movimento errado. Eu deveria ter ido para o reglete com minha mão esquerda! Eu rolei meu corpo todo para a esquerda, implorando por um reglete, uma craquinha, um calcanhar – alguma coisa, qualquer coisa – isto me possibilitou colocar minha mão direita para cima e mover minha mão esquerda para o lado do reglete. Eu arrastei meus dedos direitos até um pequeno reglete invertido e lateral – a direção errada de uma boa puxada. Eu sabia agora que tinha menos de 20% de chance de sucesso. Se eu tentar prosseguir com o movimento, a queda era quase certeza e ‘vacar’ (cair) uns 10 metros. Mesmo que eu tentasse subir mais sem ‘clipar’ na próxima costura, maior seria a ‘vaca’.
“Trava aí” (tencionar a corda para aliviar a queda) gritei para baixo.
"Não”, ele retrucou. “Você está a apenas 3 movimentos do cristal. VOCÊ pode se recuperar lá”.
“Trava aí” gritei novamente.
Me soltei e apenas segurei na corda para que a queda fosse a melhor possível.
Após a queda eu fiquei pendurado na corda por quase 10 minutos me recuperando e, então, pendulei para a rocha novamente, me puxando pelas agarras e escalando até o topo. Mas, é claro, não contava mais como cadena. Eu terminei a via, mas não a ‘encadenei’. E mesmo mais tarde naquele dia, eu me preparei para subir a via do chão ao topo sem descanso – um sucesso pela cadena – E eu consegui uma cadena pura, na segunda tentativa. Não falhei na escalada, mas falhei na minha mente. Quando confrontado com o momento de comprometimento, no momento de decisão, no momento de ‘por em jogo’ na cadena ‘on-sight’, bem, isso deixei fugir. Eu escolhi ir para a derrota, não para a ‘tentativa’.
Desistir ou tentar. Esta diferença é sutil, mas tem toda a importância no mundo real. Na tentativa, você pode não continuar na via, mas nunca desiste. Na tentativa você cai, e você escolhe deixar a via. Ir para a tentativa significa comprometimento total para ‘tocar para cima’ – mesmo se a possibilidade de sucesso fosse menor que 20%, 10% , ou até mesmo 5%. Você não deixa nada em reserva, seja mental ou físico. Na tentativa, você nunca desiste psicologicamente “Opa, eu não dei o máximo... Eu tenho de fazer com meu máximo esforço”. Na tentativa você sempre dá todo o seu potencial – não importando o medo, a dor, acido lático e a incerteza. Para um observador, falha e tentativa parecem similares (você acaba ‘voando’ em ambos os casos), mas a experiência interna de tentativa é totalmente diferente da falha.
Você irá apenas encontrar um verdadeiro limite quando vai para uma tentativa, não uma desistência. Claro que eu tinha apenas 20% de chance para alcançar a bola de cristal, mas porque a deixei ir, nunca saberei com certeza. Talvez eu tivesse uma reserva de força extra, talvez eu estivesse surpreso com a força extra de força segurando um ou mais movimentos. Ou talvez – e isto pode se tornar verdade – a agarra mais próxima pudesse ser melhor do que parece. E isto é a essência. Em uma escalada ‘on-sight’ - como a vida – você não sabe como será a próxima agarra. Esta ambigüidade – sobre agarras, movimentos, a habilidade de ‘clipar’ a corda – produz um comprometimento de 100% em uma escalada ‘à vista’ tão difícil.
Um dos meus mentores em vida, a ‘guru’ de projetos Sara Little Turnbull, me deu uma parede de agarras com uma frase de seu discurso em 1993 na conferência Corporate Design Foundation Conference:
“Se você não se esticar, nunca saberá onde o limite está.”
(...)
Aos 45 anos, meu corpo não me permite mais dar ‘puxadas’ com a mesmo potência de quando eu tinha 20. Mas eu tenho aprendido desde então que o que você perde em força física você pode aumentar sua força mental. E, consequentemente, eu continuo a trabalhar na técnica de me agarrar a rocha, tentando sempre tocar pra cima.
Eu sempre tenho redefinido ‘sucesso’ menos em termos de se conseguir chegar ao topo, e mais em termos de qualidade de esforço mental. Durante uma sessão de escalada recente, Eu não encadenei nenhuma via. Nenhuma. Mesmo assim foi um dos dias mais bem sucedidos de escalada, porque eu fui tentando e caindo tentando, em cada ascensão. Senti-me bem quando voltei para casa porque minha mente sentia-se forte naquele dia, comparada com a sensação de fraqueza na maioria dos dias. Finalizando, escalar não é apenas sobre vencer a rocha, é sobre vencer você mesmo. E isto é a essência de escalar e cair tentando.
Evidentemente que em certos momentos escalar para ‘cair tentando’ não vai ser válido, mas sim vai parecer estúpido – o que nos leva para a próxima lição."(...).
Fonte: Leadership Lessons of a Rock Climber. Collins, Jim. Tradução parcial: Luciano Fernandes.
domingo, 31 de maio de 2009
Nota: Britânico de 65 anos alcança topo do Everest
"Após duas tentativas frustradas, o explorador britânico Ranulph Fiennes conseguiu atingir o topo do Monte Everest nesta quinta-feira, aos 65 anos de idade. Com o feito, ele se tornou o primeiro homem a escalar o pico mais alto do mundo (8.848 metros) e cruzar os dois pólos (1982) – além de ter cruzado a Antártica a pé com seu companheiro de aventuras, Michael Stroud, em 1993.
A nova conquista foi divulgada pela Marie Curie, fundação pelo câncer para a qual Fiennes tenta arrecadar 3 milhões de libras. "Sir Ranulph Fiennes atingiu o topo do Everest logo após à 1:00 am (hora local) de quinta-feira, 21 de maio de 2009, completando o que ele foi destinado a fazer um ano atrás - erguer a bandeira da Marie Curie no pico da montanha mais alta do mundo", disse o comunicado.
Em nota, Fiennes disse que escalar o Everest tem sido uma meta pessoal há tempos. A primeira tentativa de chegar ao cume da montanha havia sido em 2005, dois anos depois de passar por uma dupla ponte de safena devido a um infarto. Apesar do fracasso, o britânico não desistiu e, no ano passado, tentou mais uma vez. Foi então detido, aos 350 metros, por outro ataque cardíaco.
Desta vez, para evitar a extrema publicidade que marcou suas duas expedições anteriores, Fiennes foi discreto, deixando que apenas os mais próximos soubessem de seus planos."
Fonte: Veja on line
Auto-resgate pode salvar vida durante a escalada
"Na prática da escalada, em geral, a segurança é um ponto sempre discutido, apesar de ser considerado um esporte seguro. Mas como em qualquer atividade física, os praticantes estão sujeitos a incidentes que podem comprometer a vida. Para os escaladores, em caso de imprevistos, uma solução é a prática do auto-resgate.
Existe uma grande diferença entre resgate e auto-resgate. A primeira consiste em uma intervenção de uma equipe preparada que, após o contato, ajuda uma outra equipe em risco. Este grupo possui toda a organização e os equipamentos necessários para uma intervenção. No caso do auto-resgate, a intervenção é feita por quem está realizando a prática, com os equipamentos que estão à mão e com técnicas específicas de bloqueio de cordas.
“Por exemplo, a vítima está presa no meio das cordas em uma caverna e eu não tenho nenhum equipamento para realizar um socorro, como uma maca. A pessoa, quando consciente, pode colaborar com a ação; no caso de uma pessoa inconsciente, ela deita na cadeirinha com a cabeça baixa. E no máximo em 15 minutos acontece a morte, por conta da dificuldade na circulação de sangue no corpo. O desbloqueio deve ser rápido e usamos os mesmos equipamentos que estamos utilizando na prática da escalada”, explicou Walker Figueirôa, da Ecoesporte Escola de Aventura, autor de livros sobre o assunto e criador de algumas manobras de auto-resgate.
Conhecimento - Qualquer manobra de auto-resgate eficiente requer informação, que não se adquire na prática. “É preciso ter um conhecimento técnico para aplicá-lo e não correr o risco de uma tentativa em que as pessoas envolvidas acabem precisando de resgate. Este é o principal ponto, e as pessoas costumam procurar depois que algo acontece. Sempre é bom precaver”, explica Figueirôa.
Em cada situação, que pode ser uma escalada em caverna ou que necessite passar por áreas com água, exige além de uma tomada de decisão rápida, mas uma técnica de resgate que seja efetiva. “Não existe um dogma, um passo a passo a ser seguido no auto-resgate”, disse o escalador.
Walker acredita que o ideal para todos os escaladores aprenderem algo sobre o auto-resgate é ter uma introdução sobre o assunto durante um curso de escalada. “Independente do nível de aprendizado, durante uma aula prática, seria interessante o praticante conseguir tirar uma vítima de um local para aprender as técnicas”.
Treinos e decisões
Para aprimorar a tática e realizar qualquer auto-resgate, os treinamentos são fundamentais. Desde o resgate mais simples ao mais complexo, conhecer e praticar são um diferencial entre os escaladores. A tomada de decisão é fundamental no momento do incidente. A frieza e o conhecimento prévio levam a decisão correta.
Não existem graus de dificuldade nos auto-resgates, mas um fator pode contribuir para torná-lo mais fácil. São as técnicas que não necessitam de contato com a vítima, os resgates indiretos. “O problema pode ser resolvido de longe, por exemplo, é possível dar um nó em uma ancoragem, que se a vítima tem algum problema, você deixa uma corda sobrando do tamanho exato do local da escalada até o chão. Se acontecer algum problema nesta descida, você desata o nó e desce junto com a vítima, sem precisar encostar-se a ela”, explicou Walker. Ao contrário do auto-resgate direto, no qual há o contato com a vítima, que o especialista comenta ser um dos mais complexos.
“Se fizer todo esse resgate isso em uma caverna, no escuro, embaixo d’água, com a vítima em desespero, passando frio, fome e depois de horas de atividades, complica. É preciso ter um preparo físico bom, dominar as técnicas e ter paciência com as adversidades”, revelou.
Equipamentos
Saiba quais equipamentos que você utiliza que também serão utilizados no auto-resgate:
Equipamentos para escalada em rocha:
Cadeirinha de escalada, mosquetões, capacete , longe duplo com absorção de energia, freio para escalada, costuras, corda dinâmica, sapatilha, saco de magnésio, magnésio, costura para resgate com tibloc.
Equipamentos para canyoning:
Cadeirinha de canyoning, mosquetões, capacete , longe duplo com absorção de energia, freio oito, shunt, costura para resgate com tibloc, valdostano, sonda de lavínia, máscara de mergulho, mochila de canyoning, saia, neoprene, botas de canyoning, cliff hanger, acqua line, saco de arremesso para canyoning, corda estática.
Equipamento para espeleo vertical (cavernas verticais)
Cadeirinha de espeleo, mosquetões, capacete , longe duplo com absorção de energia, freio para espeleo, malha rápida meia lua, corda estática, ascensor ventral, ascensor de mão, estribo, peitoral, calçados adequados, mochila de PVC pra cavernas.
Importante - Consulte sempre um especialista para adquirir qualquer equipamento de escalada. “A falta de instrução gera muitos acidentes que podem ser prevenidos com dicas, cursos”, conta Walker."
Fonte:webventureuol.uol.com.br - Por Bruna Didario
quarta-feira, 20 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
domingo, 29 de março de 2009
Responsabilidade de conquistar
segue o relato sobre um acidente na Austrália e que evidencia a responsabilidade dos conquistadores de uma via, sobre a segurança dos escaladores que freqüentarão aquela rota posteriormente. Isso me reporta a discussão de “tira grampo, bota grampo” que temos aqui no Rio de Janeiro e que pode, por muitas vezes, coloca em risco escaladores desavisados. Digo isso por que, algumas vezes já me deparei com grampos inutilizados no meio de uma via, que para mim não fez diferença, mas para outro poderia fazer falta e causar um acidente.
O acidente relatado não teve isso como causa, mas passou pela falta de cuidado com as regras de segurança locais. Segue relato:
“...Escalador australiano morreu no início do ano depois de tomar uma queda de 150m. Pelo relatório postado no link abaixo, o que rolou foi que o guia estava ancorado em uma chapeleta, com o segundo dando segue de uma parada improvisada na chapeleta imediatamente anterior.
Como a via tinha ficado muito difícil, o guia estava tentando clipar a próxima chapeleta (terceira) usando um 'clip stick'. Nesse momento o parabolt soltou da parede e ele tomou a queda com muita corda solta (acorda saía da primeira chapeleta com o segue, passava pela segunda (que estourou) ia até a terceira (pelo clip stick) e descia até o guia).
Com a queda, o guia caiu abaixo do segue e a corda acabou passando poruma ponta de 'ironstone' (não sei como traduzir) e acabou se cortando...
Pelo relato a corda estava em bom estado e ambos escaladores eram experientes.
O que mais assusta é o vídeo do pessoal que foi fazer a checagem davia após o acidente. Quase todos os parabolts da via saíram da pedra,um arenito, com uma puxada com a mão!!
A via foi aberta por uma dupla de croatas que estava de passagem pela região e, segundo o relato, não consultaram o pessoal local para saber da qualidade da pedra, ética e etc...”
Link do relato: http://www.onsight.%20com.au/news-%20blog/articles/%2036/nicks-%20accident-%20what-happened
Fonte: Rafael Matheus. http://blogdobaldin.blogspot.com
Valeu galera. Pense nisso e boas escaladas!
Sapatilhas de escalada - a evolução
Faz tempo. Né? Mas ainda estou por aqui. Rsrsrs.
Hoje vou publicar parte de um texto muito interessante que fala da evolução dos materiais de escalada no Brasil. Destaquei o trecho que comenta sobre os calçados e que me fez lembrar o início da minha história como escalador.
Você pode estranhar e se perguntar: Mas sapatilha é material de segurança? O que isso tem haver com a proposta do blog?
Respondo-te com outra pergunta: O que te auxilia ficar “grudado” na rocha e não cair? Se você for escalar sem sapatilhas vai sentir a mesma segurança do que com elas? Por isso incluo-as na categoria segurança também.
Comecei escalar em meados da década de 90. Era um momento de transição, a oferta de equipamentos de escalada aumentava, mas convivia ainda com muitas práticas antigas, e uma delas era o uso de kichutes pelos iniciantes. Usei esses calçados até guiar pela primeira vez. Quando comprei minha primeira sapatilha, uma ninja da Boreal usada.
Era uma realidade diferente de hoje e penso que deve ser lembrada. Por isso separei uma pequena amostra desse tempo:
“...Eu estava em City of Rock (Idaho - EUA) escalando com um amigo americano e quando fomos para a base de uma outra torre de granito para escalar, encontramos uma dupla de escaladores que falava uma língua muita estranha, percebia que era do Leste Europeu. Mas a minha surpresa foi quando eu olhei para os pés de um dos escaladores. Eu comecei a rir porque o cara era da antiga Tcheco-eslováquia e escalava com um Kichute, exatamente da mesma forma que nós fazíamos aqui nos anos 70 e 80. As travas eram cortadas para a sola ficar lisa e ter uma área de contato maior com a rocha, e assim aumentar a aderência. Muito curioso, eu fui conversar com o sujeito.
Perguntei: - Você escala com isto?
O cara respondeu, rindo: - Antigamente nós usávamos este calçado para escalar na Tcheco-eslováquia porque não tínhamos acesso ao material importado por causa do comunismo, mas hoje em dia não usamos mais, eu uso este par só de “onda”.
O modelo que ele usava era uma cópia perfeita do Kichute brasileiro e eles o adaptaram para escalar, mas originalmente usavam para jogar futebol exatamente como nós. Eu perguntei para o meu amigo, que conhecia um pouco do Brasil:
- Será que os tchecos copiaram a idéia dos brasileiros ou os brasileiros copiaram os tchecos ou foi uma bizarra coincidência?
Os dois países tinham duas coisas em comum: uma era a dificuldade de conseguir material de fora do país (lá por causa do comunismo e aqui por causa do “durismo”) e a outra era o Kichute. Mas a história do material de escalada no Brasil vai mais longe.
Até 1981, praticamente não existia no Brasil botas de escalada, magnésio ou outros equipamentos que conhecemos hoje. Todos queriam ter botas de couro rígidas que usualmente eram utilizadas para adaptar grampom para escalar em gelo. Tentávamos copiar o máximo o estilo europeu e como não tínhamos acesso ao equipamento importado e nem dinheiro (o valor do dólar era muito alto na época), fazíamos as nossas improvisações. Mas na época, mesmo na Europa que era o grande centro de escalada, o material não era tão avançado, os equipamentos mais sofisticados estavam começando a ser desenvolvidos.
Na década de 50 alguns brasileiros utilizavam a bota cardada, isto é, alguns caras colocavam alguns tipos de pregos na sola da bota para tentar imitar o grampon, só que aqui era para escalar na rocha!!! Nas décadas de 60 e 70 alguns usavam sapatilhas feitas de pano e sola de corda de sisal, elas eram conhecidas por alguns como Chinapau (elas ainda existem), mas a sola desfiava e acabava rapidamente. No final da década de 70, depois de experiências com diversos tipos de calçados, chegou-se a conclusão de que o Conga era o melhor, aderia mais e funcionava como uma sapatilha. Logo depois alguém teve a idéia de tirar as travas do Kichute, que logo se tornou popular para escalar, até que o fabricante mudou a composição da borracha, tornando-a menos aderente. A alteração foi sensível e alguns voltaram a usar o Conga. No Brasil, as primeiras botas próprias para escalar em rocha começaram a chegar por volta de 1978, mas apenas uma ou duas pessoas possuíam. Os primeiros modelos ficaram sendo conhecidos como PA, que eram as iniciais de Pierre Alain, que foi quem as desenvolveu. Posteriormente chegaram as do modelo EB. Mas na época as botas eram chamadas de Varape (era um tipo de bota, mas que aqui acabou sendo uma denominação comum utilizada para todas as outras). Era o máximo ter um par de EB nos pés, alguns diziam que a sola grudava na rocha como chiclete. É claro que as comparações eram com o Kichute. Mas só quem tinha dinheiro e podia viajar para fora podia comprá-las. Não eram vendidas no Brasil. Aliás, na época existiam pouquíssimos escaladores ativos por aqui, eram estimados algo em torno de 500 e apenas uns 10 raramente viajavam para a Europa. O escalador que viajava para fora era muito invejado. Antes de usar Conga eu escalava com uma bota feita para motociclista. Em 1983, escalei no Rio com o suiço Roman Vogler, que era um dos feras da Europa na época e ele ria quando olhava para as minhas botas de motociclista.
Um belo dia, alguém apareceu com uma Fire (primeiro modelo da Boreal), isso foi em 1983 ou 1984. Logo veio a fama de ser uma bota mágica, porque “grudava” na rocha. Realmente a sola era muito boa, os espanhóis tinham inventado a goma cozida para solados. Foi uma tremenda evolução. O reinado da Fire durou vários anos (na Europa, nos EUA e no Brasil), até que outros modelos surgiram da própria Boreal e da La Esportiva.
Logo depois da Fire, a Boreal lançou as sapatilhas Ninja e se tornaram grande sucesso. O problema é que elas gastavam rápido e era difícil comprá-las. Alguns tinham botas mas não as usavam porque tinham medo de gastar a sola e não ter como ressolar. Alguns conseguiam pedaços de sola e mandavam para o sapateiro colar. Uma vez o Marcelo Braga foi à Espanha e trouxe muitos quilos de rolos de borracha da Boreal. Outros faziam a própria ressola, mas economizavam os pedaços. Ou seja, colavam com Superbond pequenos pedacinhos somente onde era necessário, fazendo parecer uma colcha de retalhos. Era espantoso ver as solas das sapatilhas velhas de alguns escaladores cariocas cheias de quadradinhos desiguais, às vezes em forma de triângulos, alguns descolando. Logo depois que a Fire e a Ninja apareceram, o conceito de escalada de aderência mudou por aqui. Antigamente algumas escaladas de agarras eram consideradas de aderência, mas depois que abriram as vias do Sumaré (Rio) é que realmente o pessoal entendeu o que era aderência e o que era a supremacia dos calçados da Boreal. Nunca mais esqueço a minha felicidade quando comprei a minha primeira Fire. Usei tanto que quando um dos lados gastou, comecei a usálas de pés trocados, só para aproveitar o outro lado menos gasto. Machucava muito, mas funcionava. Finalmente, nos anos 90 chegaram as botas Five-Ten com solados Stealth.
No Paraná, em 1986, a Natisnake (hoje conhecida como Snake) lançou a sua própria bota que tinha uma sola muito boa, mas o corpo era muito desengonçado e não tinha pé esquerdo ou direito, tanto fazia em que pé você calçava. Mas eram boas. Hoje o próprio Snake deve rir do modelo que ele e o Nativo produziram de forma artesanal. Mas valeu o esforço porque depois disso a produção evoluiu, basta ver a qualidade do material atual. “
Fonte: Paulo Faria. Texto publicado na revista Fator2 número 15.
Interessante, não é?
Hoje a facilidade para aquisição de equipamentos é muito grande, o que contribui sensivelmente na rapidez da evolução técnica do escalador. Então aproveite essa “moleza” e vamos para montanha. Rsrsrs
Um abraço
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Como montar sua Slack Line
esse vídeo tem pouco haver com segurança na escalada, porém é bem legal para aprender a montar uma "Slack Line" ou "Corda Bamba" e treinar um pouco do equilíbrio e concentração.
Valeuuuuu.
Atenção ao usar os Strings
Nas solteiras e costuras, para uma maior comodidade na hora de passar a corda na costura ou carregá-la presa ao baudrier, muitos escaladores utilizam um elástico para manter a fita junto ao mosquetão. O String da Petzl é um dos elásticos mais conhecidos.
Só que a utilização de tais elásticos exige cuidado. Caso a fita, ao ser manuseada, entre no mosquetão em que está clipada e presa por um elástico, o escalador corre um grande risco. Veja o desenho abaixo:

Sem o elástico a fita simplesmente sairia do mosquetão e o descuido seria facilmente percebido. Porém com o elástico isso não fica evidente. A fita permanece unida ao mosquetão apenas pelo elástico. Somente ao se apoiar na fita é que o elástico irá arrebentar. Foi o que aconteceu em setembro último, em Salinas, Friburgo, quando o escalador Guilherme Brito fraturou a perna.
Uma sugestão é utilizar elástico apenas em fitas expressas curtas (unicamente no mosquetão da corda) e evitar em fitas maiores, abertas, em forma de anel.
Fonte: www.companhiadaescalada.com.br
Contribuição e desenho de Guilherme Brito
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Uso do magnésio.
vou comentar sobre uma polêmica que rolou na internet sobre o uso de magnésio importado e o nacional, mas para enriquecer vou abordar o assunto de forma mais ampla.
Existe uma discussão sobre o uso do magnésio na escalada em rocha e qual o mais eficaz para o nosso clima.
Alguns países possuem resoluções que proíbem o uso desse artifício em determinados setores ou até mesmo no país, é o caso da República Tcheca. Aqui no Brasil não podia ser diferente, movimentações nesse sentido também são percebidas. Os defensores dessa posição alegam a poluição visual e o excesso de resíduo de magnésio acumulado nas agarras como uma pratica a ser combatida. Entretanto devo frisar que o carbonato de magnésio não é nocivo ao meio ambiente e nem mesmo a saúde, então essa “poluição seria mesmo visual”, entretanto concordo que mesmo assim mereça atenção.
Contudo, as diferenças climáticas dos points de escalada, mesmo entre os brasileiros, são grandes. Digo isso, pois a necessidade de secar as mãos quando escalamos na Urca é maior do que na Serra dos Órgãos, para dar um exemplo de dois lugares próximos mais com climas bem diferenciados.
Penso que o uso do magnésio é necessário principalmente em dias quente e por pessoas que transpirem muito, mas podemos minimizar os efeitos desagradáveis desse uso.
- O primeiro é usar o tipo de magnésio correto, que é o Carbonato de Magnésio Extra Leve. Esse tipo é mais fino e por isso mais fácil de ser “lavado” pela chuva, o que diminui bastante o efeito visual.
- O segundo ponto é usar o magnésio envolvido num tecido ou colocar uma esponja dentro do saquinho de magnésio. Isso porque, se colocarmos a mão direto no pó, ele não funcionará bem e dará a sensação que não “grudou”. Entretanto se segurar um tecido ou esponja saturada de magnésio, o efeito será outro e não terá aquela lambança na rocha.
Quanto a questão do uso do importado ou nacional. Acho que o nacional Extra Leve e usado com essas dicas atende perfeitamente nossas necessidades com um custo justo.
Valeu galera.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Manutenção dos mosquetões
O bom funcionamento do material é essencial para a segurança da sua escalada. Muitas vezes achamos que o único cuidado que devemos ter com as nossas ferragens, é não deixá-los cair. Porém a má conservação pode gerar sérios problemas.
Um caso comum, é ver mosquetões não totalmente fechados por falha na mola do gatilho e, como disse, isso compromete muito a sua segurança no caso de uma queda. Isso por que a resistência do seu mosquetão diminui 2/3 quando o gatilho não se fecha por completo.
A prevenção para esse problema é simples:
Teste seus mosquetões e identifique quais perderam a pressão na mola do gatilho.
Em seguida, limpe-os com água quente e uma escova, depois deixe-os secando.
Quando totalmente secos, aplique pó de grafite no interior do gatilho, fazendo movimento repetidos de abrir e fechar.
Tire o excesso e pronto teste de novo.
Porém se isso não adiantar, o melhor a fazer é substituir essa peça por uma nova.
Um abraço
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Escalada: técnicas de segurança
Conheça abaixo as principais técnicas de segurança em escalada. Lembre-se, porém, de que o montanhismo exige técnicas que só são adquiridas com treinos e tempo. A falta desses conhecimentos pode ter conseqüências fatais. Por isso, caso queira iniciar-se no esporte, procure clubes e instituições reconhecidos.Clique aqui e conheça alguns deles.
As técnicas de segurança compreendem o conjunto de medidas tomadas com o intuito de reduzir os riscos de queda e acidentes na escalada, bem como atenuar suas conseqüências.
A segurança é realizada do guia para o participante, isto é, de cima para baixo, ou do participante para o guia, sendo, neste caso, de baixo para cima. Aquele que presta segurança deve estar firmemente preso em um ponto de proteção (grampos, por exemplo), executando as manobras e observando atentamente o deslocamento do seu companheiro. Este, ao chegar ao ponto de parada, logo se prende e passa, por seu turno, a executar as operações de segurança necessárias ao deslocamento do outro componente da cordada (conjunto de escaladores unidos entre si por uma ou mais cordas).
Atualmente as formas de dar segurança mais comumente utilizadas são as realizadas com o auxílio de equipamentos como o freio oito, ATCs e placas GiGi, subsitiuindo as clássicas seguranças de ombro ou com nós.
Na falta de equipamentos existem algumas alternativas de prover segurança durante a escalada de seu companheiro como a Segurança de ombro ou Segurança com nó UIAA.
Segurança de ombro - A corda proveniente de quem recebe segurança passa sob uma das axilas de quem presta segurança, cruza suas costas e passa sobre seu ombro oposto; os movimentos de bloqueio da corda são controlados por ambas as mãos. Esse método é empregado em lances de pouca dificuldade ou quando não for necessária uma segurança dinâmica aprimorada, como é o caso da segurança do guia para o participante.
Segurança com nó UIAA - Essa técnica utiliza o nó UIAA devidamente aplicado em um mosquetão, permitindo que a corda seja movimentada ou bloqueada com facilidade. O mosquetão deve encontrar-se preso em um ponto fixo, geralmente unido a grampos com fitas ou à cadeirinha do participante. Possui características dinâmicas muito boas, sendo por isso indicada para a segurança em geral, principalmente do participante para o guia.
Segurança com aparelho - Nesse método emprega-se uma peça metálica para criar atrito e bloquear a corda. A peça deve ser presa ao baudrier de quem presta segurança, usando-se para isso um mosquetão com trava de rosca. Outra peça também empregada é a plaqueta, tratando-se nesse caso de uma placa com orifício alongado onde se insere a corda, que é passada depois pelo mosquetão. Tanto no oito quanto na plaqueta, o bloqueio se faz por meio de um movimento de abertura dos braços, feito por meio de um movimento de abertura dos braços.
Link: http://www.zone.com.br/montanhismo/index.php?destino_comum=tecnicas_mostra&id_noticias=5435
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Ensaio sobre escalada
nesse ensaio pretendo discutir com Robert Macfarlane, sobre o motivo que faz as pessoas a praticarem um esporte que pode levar a morte. No nosso caso a escalada.
Alguns autores, inclusive o Robert, fazem um corte temporal sobre o medo e seus efeitos quando aplicados na escalada. Segundo eles a relação com o risco e o medo vem “evoluindo” e hoje as pessoas pagam para correr riscos, como uma forma de se sentirem vivas. E acrescenta: “Jamais nos sentimos tão vivos do que após momentos em que quase morremos”. Concordo com os efeitos que a adrenalina causa na nossa mente, entretanto discordo com relação ao desafio a morte (consciente) no caso da maior parte dos praticantes da escalada.
Meu corte para análise é um pouco diferente, eu penso que cada pessoa tem objetivos diversos quando vai escalar.
No mesmo espaço temporal existem aqueles que, como diz Roussean, “precisam estar firmemente posicionados” para experimentarem somente a sensação do perigo, mas com a certeza de que o risco é mínimo. Esses buscam diversão, tranqüilidade e relaxamento.
Um segundo grupo, utiliza a adrenalina como uma “droga” e precisa consumir periodicamente para se sentir bem. Para esses é comum a busca pela superação e reconhecimento, pois feitos “heróicos” são lembrados nas rodas de escaladores e bivaks. Geralmente são ótimos escaladores com domínio completo das técnicas e experiência na montanha. E principalmente conhecem as conseqüências e implicações do erro.
De maneira geral, o primeiro grupo procura estar acompanhado de alguém mais experiente ou pelo menos se mantém em lugares que os permitam se divertir de forma “segura”, e o segundo grupo desafia seus limites, mas conscientemente decidiram pagar o preço.
Entretanto existe um grupo que fica entre esses dois; e que são os potencialmente destrutivos. Podemos considerar aí, escaladores que se atiram fascinados pelas sensações de euforia e júbilo decorrentes da adrenalina, mas sem estarem munido da prudência ou experiência. É nesse caso que acontece a falsa sensação de segurança tão perigosa na escalada e causadora de tantos acidentes.
Concordo com Robert, quando ele afirma que “o medo virou moda... E assim, correr risco – a instigação proposital do medo – tornou-se desejável, tornou-se um bem de consumo.” E no caso da escalada, continua ele “parece que algum feitiço ou hipnotismo está em ação, parece que o fascínio pelas montanhas se torna uma espécie de lavagem cerebral.” O que acrescento as palavras de Robert é que, esse frenesi pelas montanhas deve ser trabalhado de forma séria e consciente, o escalador precisa pensar no que ele procura no seu esporte, e se dedicar a isso. Escalar não deve ser como “andar de bicicleta” que você sabe e pronto, o escalador deve estar num dos primeiros grupos citados e não no grupo dos “sem noção”.
Vou citar o epitáfio de Edward Whymper, um sobrevivente do desastre do Matterhorn: “Suba, se assim o quiserdes... Mas lembrai-vos que a coragem e a força nada são sem a prudência, e que uma desatenção momentânea pode destruir a felicidade de uma vida toda. Nada fazei às pressas; cuidai da cada passo; e, desde o início, considerai o que pode ser o fim.” Isso não mostra um escalador medroso, mas um bom escalador que teve tempo de vida para muitos feitos no século XIX. E principalmente consciente dos riscos que assumia. E, em minha opinião, essa que é a grande diferença.
E por fim, se não sabemos exatamente o que procurar na escalada, devemos ao menos, ter a certeza do que não queremos achar.
Um abraço a todos e boas escaladas
Referência: MACFARLANE, Robert. Montanhas da mente - História de um fascínio. Rio de Janeiro: Objetiva,2005.
domingo, 26 de outubro de 2008
Executando o NÓ DE FITA
devido a dedicação que o trabalho me exige decidi publicar apenas um artigo por mês. Sei que é pouco frente a importância do assunto que debatemos, entretanto penso que com uma publicação mensal posso garantir a qualidade dos artigos e também dar oportunidade a outros escaladores exporem suas idéias e discuti-las.
Hoje quero conversar sobre o nó de fita. Atualmente o uso de fitas solteiras emendadas com nó é cada vez menor, os escaladores estão preferindo substituí-las por anéis de fita e Daisy chains costuradas. Apoio esse movimento, pois esses modelos além de serem homologados e não correm o risco de soltar por uma costura mal feita.
Opa! Você pode estar se perguntando: Então porque aprender o nó de fita?
E eu te digo, que na minha opinião todo escalador deve saber executar esse nó, mesmo que use somente os modelos de fitas costuradas. Pois, existe inúmeras situações na montanha que precisamos das fitas e saber executar o nó é a diferença entre ir embora sozinho ou com o resgate.
Lembre-se: “Um bom guia, não é aquele que nunca se mete numa fria, mas é aquele que sabe sair dela.”
Vamos ao nó de fita – Como todos os nós que você aprendeu, esse também exige alguns cuidados para se tornar seguro.
O primeiro deles é universal às amarrações, o nó deve ficar uniforme sem dobras ou desalinhos. Sabemos que qualquer emenda na fita faz a resistência diminuir sensivelmente, e se considerarmos um nó mal feito, essa resistência tende a cair mais ainda. Por isso faça um nó bonito e limpo.
O segundo ponto é a quantidade de sobra necessária para deixar esse nó seguro, à prova de falhas. Esse ponto ganha mais importância no caso das fitas, pois testes revelam que anéis emendados com nó de fita tendem a falhar quando submetidos a “ciclos de tensão”, ou seja, movimento de tencionar e liberar, e mesmo com forças reduzidas apresentam um deslizamento superior a outros nós. Dito isso, afirmo que para resolver esse problema basta deixar uma sobra de 7 cm de cada lado do nó, com isso ele não soltará.
Outro ponto importante é sempre refazer esses nós antes de começar a subida. Sei que é um pouco chato, mas garantirá que todos estejam certos.
A seguir, fiz um diagrama de como executar o de nó de fita. Estude, aprenda e boas escaladas.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Executando o NÓ DE BACKUP
Alguns escaladores alegam que, se existir alguém segurando o final da corda, não tem necessidade de mais nenhum backup. Eu discordo dessa alegação tendo em vista alguns acidentes que já tomei conhecimento. No rapel devemos ter dois pontos de conexão com a corda, um deles é o freio e o outro o backup, pois caso um deles falhe teremos o outro como garantia.
Duas coisas gostaria que fossem observadas, a posição do nó que emenda o cordelete, deve ficar quase na ponta junto ao mosquetão. E outra que não demonstro aí, é o lugar da ancoragem desse backup; oriento usá-lo na perneira da cadeirinha por ser mais fácil manusear mesmos em descidas negativas.

E por fim, todo nó precisa ser revisado. Lembre-se que sua segurança depende primeiramente de você.
Um abraço e boas escaladas
domingo, 24 de agosto de 2008
Executando o nó OITO DUPLO
Fotos Stwaet verde
· Pegue a ponta da corda e faça um nó oito simples, deixando 1m de sobra. (Fig.1)
· Passe a corda por dentro dos anéis da cadeirinha, posicionando-o a 4 cm. ATENÇÃO: Não se encordar no loop. (Fig.2)
· Depois de feito e ajustado o nó, deve sobrar 18cm de corda. Com essa sobrar faça um arremate usando uma AZELHA DUPLA. ATENÇÃO: A distância entre o Oito e a Azelha na imagem, é somente ilustrativo para auxiliar a visualização para fins didáticos. O correto é executá-lo numa distância de 4 cm entre si. (Fig.4)
· Por fim, verifique novamente o seu NÓ OITO e de seus companheiros.
Então é isso galera, treinem bastante o OITO DUPLO e na próxima semana falaremos do NÓ DE BACKUP.
Boas escaladas
Rodrigo Demuti
domingo, 10 de agosto de 2008
Check list dos equipos de escalada
muitos alunos me perguntam quais os materiais que precisam adquirir e o momento certo para isso.
Para facilitar a vida da galera, resolvi criar esse check list dos equipamentos básicos para os tipos de escaladas mais comuns aqui no Rio.
Bouldering
Para escaladas em blocos, você não precisa de tantos equipamentos de segurança, basta apenas:
Equipamento pessoal
1 sapatilha de escalada
1 saco de magnésio
1 magnésio
1 Crash pad
Top-rope
Para treinamentos com corda de cima a quantidade de equipamentos aumenta um pouco, mas nada comparado a variedade de lugares que você passará a ter acesso:
Equipamento pessoal
1 sapatilha de escalada
1 saco de magnésio
1 magnésio
1 mosquetão de rosca HMS
1 freio
Equipamento coletivo
1 anel de fita de 1,20m
2 mosquetões com rosca D
1 bolsa de corda com pad
1 corda de escalada
Escalada tradicional
Para escalar as principais vias que temos no Rio, você precisará ter uma gama maior de equipos, mas será recompensado pelas belezas de nossa cidade que só nós escaladores podemos ver:
Equipamento pessoal
1 sapatilha de escalada
1 saco de magnésio
1 magnésio
1 mosquetão de rosca HMS
1 freio
3 mosquetão de rosca D
1 anel de fita de 0,80m ou Daisy chain
1 capacete
2 cordelete de backup
Equipamento coletivo
2 anel de fita de 1,20m
2 mosquetões D
5 mosquetão de rosca HMS
1 corda de escalada (60m ou 70m)
10 costuras
ATENÇÃO: Para saber qual a quantidade de material pessoal precisará, é só multiplicá-lo pelo número de pessoas que estarão na escalada.
Por hoje é só galera!
Um abraço e boas escaladas
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Como usar a Daisy Chain?
Adicionei um vídeo de um assunto muito importante para nossa segurança, que é o correto uso da solteira regulável chamada Daisy Chain.
Como muitos escaladores, adotei o uso dessas solteiras nas escaladas clássicas pela praticidade, mobilidade e conforto que esse equipo oferece.
Composta de um anel principal segmentado em várias seções, a Daisy Chain, possibilita a regulagem da distância entre o escalador e o grampo, entretanto, essa facilidade esconde alguns perigos: a fragilidade das suas costuras se utilizada de forma incorreta.
Entenda só, se o anel da solteira em questão não fosse segmentado, provavelmente a resistência seria de 22kn, mas a média de resistência da costura de um segmento da Daisy Chain é 2kn, isso prova que são projetadas para segurar pesos estáticos.
Não estou dizendo para você jogar sua solteira fora, todavia aprender a usá-la corretamente é fundamental para sua segurança.
Algumas dicas são importantes:
- Nunca se conecte a um segmento isolado.
- Certifique-se que seu mosquetão não esteja exercendo força sobre a costura.
- Use sempre um mosquetão principal para conectar-se à ancoragem e outro para regular a distância. (Também pode utilizar o Fifi em algumas ocasiões)
- Nunca use uma Daisy Chain em vias ferratas.
- Faça um backup com sua corda noutra ancoragem separadamente. (Falaremos nisso em outra ocasião)
Agora assistam ao vídeo, previna-se e pratiquem a escalada segura.
Um abraço e boas escaladas
domingo, 27 de julho de 2008
Replay: "Por que escalar?"
hoje navegando pela web, tive a felicidade de ler um artigo escrito por mim há mais de 10 anos, onde falo do por que escalar. Já nem lembrava mais disso!
Quero compartilhar com vocês esse texto simples mais de um período muito legal da minha vida como escalador. E aproveito para agradecer a Mandy Gomes por ter resgatado esse artigo em seu blog: http://www.ofantasticomundodamanndy.blogger.com.br/
“Muitas pessoas questionam, sobre o que leva um ser humano a "desafiar" a lei da gravidade só para chegar ao cume de uma montanha, tirar algumas fotos e depois descer. Alguns se antecipam dizendo que é maluquice, outros, que é vaidade ou falta do que fazer. Mas o certo é que todos se entusiasmam com essas histórias que envolvem "aventuras" e "perigos", mas não sabem exatamente o que é escalar.
domingo, 13 de julho de 2008
Reflexões: Vida e montanha.
E por fim, agradeço a todos meus amigos e familiares, que de alguma maneira estão presentes na minha vida.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Organização e a segurança
Nas minhas aulas, quando peço aos alunos para colocar a camisa por dentro da calça antes de vestir a cadeirinha, tenho como objetivo evitar a confusão de tecidos junto dos mosquetões. Faço isso por que acredito que a desorganização leva ao erro e cria um aumento de tensão desnecessário.
Imagine outra situação: você no crux de uma via tendo que costurar com a mão esquerda. Ao tentar sacar uma costura, descobre que elas estão todas clipadas no rack direito. Isso pode ocasionar uma queda ou um malabarismo para pegar a costura com a outra mão. Vale à pena passar por isso?
Você precisa ter todo equipamento previamente organizado para a escalada que vai fazer, por isso, o primeiro passo é se informar sobre a característica da via antes entrar nela. Alguns croquis, além da rota, informam também os equipamentos exigidos pela via.
A seguir vou sugerir alguns procedimentos para organização dos equipamentos:
1 – Use a camisa para dentro do short/calça.
Motivo: a barra da camisa pode impedir o fechamento total dos mosquetões possibilitando que ele se solte do rack.
2 – Prefira as cadeirinhas de 4 ou mais racks.
Motivo: a distribuição do equipamento pelos racks faz com que você saiba exatamente o lugar de cada peça sem precisar procurá-la.
3 – Na distribuição do equipamento use os dois primeiros racks para as costuras divididas em cada lado da cadeirinha. Atrás coloque os mosquetões e freios num rack, e as fitas e cordeletes no outro.
Motivo: a arrumação deve ser padronizada para que você automatize a posição das peças.
4 – Guarde as fitas enroladas e conectadas ao rack por mosquetões.
Motivo: O uso de fitas atravessadas no corpo ou no pescoço é muito perigoso em caso de queda, além de não ser prático para retirá-las.
5 – Se você é destro se encorde a esquerda do lop, se é canhoto use o lado oposto.
Motivo: O lado da sua “mão de força” precisa estar desobstruído para colocação do freio ou uma manobra de emergência.
6 – Se for possível, recolha a corda posando-a em cima do seu pé e não solte sob a via.
Motivo: O “melê” de corda é um dos principais fatores de atraso na escalada, ocasionando cansaço e estresse.
7 – Com relação à mochila, nunca use a barrigueira durante a escalada.
Motivo: a fita da barrigueira é larga como a cadeirinha, num momento de cansaço e pouca luz você pode clipar-se a ela por engano.
Estas são apenas algumas dicas de como faço para evitar surpresas nas minhas escaladas. O principal é experimentar a melhor lógica de organização do seu equipamento e usá-la como um procedimento padrão, principalmente quando você estiver guiando.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
A importância das cores na escalada.
A sua paixão eram as fotografias, e empolgadíssimo buscava sempre a “foto perfeita”. Eu como observador, percebia que a expectativa era de uma obra de arte que iria ser criada. O melhor ângulo, luz e cor, tudo tinha que estar inquietantemente alinhado para o grande final. O “Click”. Tenho consciência de que a busca pessoal que estimula a prática de um esporte é variável, e no caso dele, a captura de imagens deixava o desenvolvimento técnico da escalada em segundo plano.
Até aí nada que comprometesse a segurança ou o bom andamento do curso. E como Boris era um sujeito engraçado, as escaladas fluíam desapercebidamente como coadjuvante dos “Clicks”.
Um dia Boris chegou mais sorridente do que de costume e falou que tinha adquirido o seu equipo individual completo... Vi o material e era realmente completo. Completamente azul! Tudo era azul Royal!
Refleti a situação e conversei com ele sobre os mecanismos de percepção nos momentos de estresse e as diversas maneiras de minimizar os riscos. Ele entendeu que a partir daquele momento a fotografia estava interferindo na segurança da escalada e isso não era bom.
Lembrei desse caso por querer falar sobre a importância do sortimento de cores no equipo de escalada, principalmente nas fitas e mosquetões.
Quem nunca passou um perrengue na montanha, com cansaço, medo e/ou estresse? Nesses momentos sua percepção de lateralismo fica prejudicada, torna-se fácil trocar o direito e esquerdo ou esquecer a posição do mosquetão... São tantas as variáveis não instintivas, que ficaria até amanhã exemplificando.
Entretanto, no plano visual 80% das percepções estão relacionadas às cores, permitindo você distingui-las mesmo nos momentos de abalo emocional forte. Por isso defendo a utilização das cores como um mecanismo confiável de diminuição dos riscos.
Criemos uma situação aproveitando que você já conhece o caso do Boris. Imagine três escaladores parados numa equalização, clipados ao mosquetão base usando solteiras e mosquetões azuis. Perfeito para fotografia, né? Entretanto o risco de algum deles desclipar um mosquetão que não o seu, é enorme.
Para minimizar esse risco, respeito alguns procedimentos simples:
Dica 1 - Lembre-se sempre de vistoriar seu equipo antes de usá-lo.
Dica 2 - Confira se a solteira e o mosquetão do seu companheiro de cordada não são iguais aos seus.
Dica 3 - Use cores sortidas para fitas e mosquetões.
Dica 4 - Se quiser diferenciar o seu equipo, use fita colorida tipo Durex. Aí sim, escolha uma cor específica para identificá-los.
Dica 5 - Use equipos de cores fortes por serem de fácil visualização na rocha e na vegetação.
Dica 6 - Mantenha a solteira sempre tensionada com seu peso, pois assim, mesmo que o escalador pegue no seu mosquetão por engano, não conseguirá soltá-lo.
E por último:
Dica "IMPORTANTE" - Nunca ache que você não dará “esse mole” e errar uma coisa tão básica.
É isso aí galera. Boas escaladas e um grande abraço.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Esclarecimentos sobre o acidente no Babilônia
segue alguns esclarecimentos sobre o acidente ocorrido no Babilonia no dia 30 de Maio. O relato é do Flávio Daflon, que foi responsável pelo resgate de três dos cinco escaladores envolvidos no acidente.
domingo, 15 de junho de 2008
Comunicação: um modo de segurança.
Vejo muitas escaladas acontecendo aos “berros”, o que causa desgaste e estresse entre os parceiros da cordada e a outros escaladores próximos. Creio que isso acontece pela falta de afinidade entre o grupo.
Como a maioria dos montanhista, aprecio escalar num ambiente calmo e harmonioso que permita a integração com a rocha e tudo mais envolta, além disso, não tenho uma capacidade vocal para gritar muito alto. Isso me facilitou entender as sutilezas da comunicação na montanha que passam despercebidas para muitos.
Entendo que quanto maior a integração entre o guia seus parceiros da cordada, mais harmoniosa será a escalada, ao ponto de nada precisar ser dito e o simples aceno ou um puxão diferente na corda já expressar a próxima manobra. Também entendo que para atingir esse ponto, as pessoas precisam passar por um processo de troca que demanda tempo. Por isso elaborei uma lista com algumas expressões cotidianas da escalada que facilitam a minha comunicação.
Perceba que nenhuma expressão longa foi utilizada por entender que “frases longas o vento leva” e fica apenas o inicio e o final delas. Então o mais eficiente são frases curtas e pronunciadas claramente.
Segue algumas dessas expressões:
“Estou na sua?” – O guia pergunta se sua segurança está montada.
“Está na minha” – O segurador afirma que a segurança do guia está
pronta.
“Está na sua?” – O segurador pergunta se o guia está ancorado.
“Estou na minha” – O guia está avisando que chegou ao fim da enfiada e
que já está preso à proteção, podendo o segurador desmontar a segurança.
“Subindo” – Normalmente usada para avisar que está começando a subir.
“Libera” – O guia está pedindo para deixar uma folga maior na corda.
“Pode liberar” – Quando antecedida da expressão “Estou na minha.”, quer
dizer que o segurador poderá desfazer a segurança.
“Corda liberada” – O segurador está avisando que a segurança foi desfeita.
“Atenção!” – O guia está pedindo para o segurador ficar atento. É bastante
usada quando se está passando por um ponto delicado da escalada.
“Retesa” – O guia está pedindo para que se puxe um pouco de corda para
diminuir uma eventual folga.
“Pode recolher” – Usada para avisar que a corda pode ser recolhida.
“Pode vir” – O guia está avisando que a segurança do participante foi
montada e ele pode começar a escalar.
“Corda acabando” – O segurador avisa que a corda está acabando e o guia
deve procurar um ponto para ancoragem.
“Corda!” – Expressão bastante usada para avisar que será arremessada
uma corda para o rapel.
“Pedra!” – Expressão usada sempre que algum objeto, como pedra,
mochila, câmara fotográfica ou até mesmo uma pessoa caindo
descontroladamente, afim de possibilitar que outros escaladores que estejam
embaixo possam se proteger.
Estas expressões não são rígidas, variam de uma região para outra. Mas quaisquer que sejam as expressões adotadas, devem ser objetivas e ditas de modo claro.
Essa relação pode ser enriquecida por todos que vivenciam a escalada. Por isso espero a colaboração de todos.
Boas escaladas
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Dicas de segurança
Lembro-me das aulas do Salomith, um grande escalador da velha guarda carioca que tive o privilégio de ter como professor, ele cobrava a execução dos nós de escalada com os olhos fechados. Entendo que a intenção era interiorizar os movimentos a ponto de não ser necessário olhar o que estava fazendo. Não estou aqui defendendo jogar com a segurança, pelo contrário, acredito na padronização para não dar margem a erros.
Aqui, não quero tratar da técnica de rapel especificamente, por entender que esse assunto deve ser abordado num curso de escala presencial, mas das medidas de segurança associadas à descida. Essas medidas podem parecer óbvias, mas não são respeitadas no cotidiano das escaladas:
1.PASSAR A CORDA NO GRAMPO: Quando começar montar a descida, sugiro que o guia (entenda como sendo a pessoa a guiar a última cordada) seja sempre o primeiro a desencordar-se e passar a corda pelo grampo. Com isso evita-se o risco de os dois escaladores se desencordarem juntos e perderem a corda achando que o outro a passou pelo grampo.
2.UNIR DUAS CORDAS: Se estiver com duas cordas use o nó de montanha para uni-las, por ser mais anatômico e difícil de ficar preso. Esse nó deve ficar com 20 cm de distanciamento entre si e mais 20 cm até a ponta da corda. Lembre-se de ajustar a pressão para não tomar sustos quando eles receberem o seu peso.
3.NÓ NA PONTA: Antes de arremessar as pontas soltas, coloque sempre uma azelha dupla em cada ponta, com isso evita-se que o escalador distraído não perceba o fim da corda. Outra dica é não juntar essas duas pontas num só nó, pois se você estiver usando freio oito isso vai provocar “cocas”.
4.BACKUP: A colocação de um cordelete de backup, conhecido como prussik, é muito importante. Esse aparato deve ser colocado na corda depois do freio e conectado a perneira da cadeirinha.
5.TESTE DO SISTEMA: Monte o freio, o backup e teste o sistema antes de soltar sua solteira. Para isso, ainda preso, recolha um pouco da corda e coloque o seu peso simulando o movimento de descida para certificar-se do correto funcionamento.
6.RAPEL: A descida deve ser suave com atenção redobrada e sempre atento ao fim da corda. E caso não chegue até a parada de ancoragem, não invente descer mais um pouquinho negligenciando a segurança, o correto é se ancorar num grampo antes.
7.FINAL: Tenha paciência. Dez minutos a mais na descida não vale o risco de um acidente. E lembre-se que a maioria dos acidentes com escaladores acontece no rapel.
Essas sugestões são frutos do aprendizado e experiências que acumulei durante minha vida na montanha, por isso não são verdades absolutas e merecem ser enriquecidas por escaladores com outras vivencias.
Um abraço e boas escaladas
terça-feira, 3 de junho de 2008
Perigos do Rapel
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Capacetes
O panorama hoje é outro, a começar pelo obrigatoriedade da sua utilização nas principais escolas de escalada e a concientização da necessidade desse equipamento pela comunidade.
Mas em que situação o capacete é importante?
São diversas as situações que o capacete pode nos proteger. A queda de pedras, de equipamentos e pancadas por quedas, são muito frequentes, e mesmo uma simples pedrinha pode causar ferimentos doloridos e acabar com a escalada de algumas pessoas.
E como escolher um bom capacete?
O mercado oferece diversas opções, os modelos simples dão a proteção exigida mas nem sempre aliado ao conforto, já os modelos mais modernos apostam na absorção máxima do impacto mas pecam na durabilidade. Como sei que capacetes são incomodos, prefiro os mais confortáveis e não ter motivos para não usá-lo.
Voltarei a levantar questões sobre capacetes na próxima postagem.
domingo, 25 de maio de 2008
Saudações
o espaço "Escale Seguro" foi aberto com a função divulgar e discutir assuntos relacionados a segurança na escalada.
Toda semana postarei comentários sobre técnicas e equipamentos para servir como fonte de consulta para os iniciantes.
As informações contidas no "Escale Seguro" não substitui a função do professor presencial, que é o único capaz de transmitir o conhecimento da escalada de forma completa.
Um abraço a todos e boas escaladas.





